Fertilização in vitro

A ovulação é necessária para poder engravidar. No entanto, o ciclo menstrual é extremamente sensível e pode ser facilmente perturbado. Problemas relacionados com a ovulação são muito comuns e são responsáveis por cerca de 25% dos casos de infertilidade feminina.1

O que é a estimulação ovárica?2

A estimulação ovárica (também conhecida como estimulação ovárica controlada; COS) é um passo muito importante no tratamento de fertilidade para mulheres no qual os ovários são estimulados a desenvolver e maturar óvulos, de forma a que fiquem aptos para ser fertilizados. O objetivo da estimulação ovárica é o desenvolvimento de múltiplos folículos, prontos para múltiplas ovulações.

A estimulação ovárica é diferente da indução da ovulação (IO), uma vez que vários óvulos são libertados durante um ciclo menstrual, em vez de um único óvulo. Isto aumenta a eficiência, uma vez que permite recolher mais óvulos por ciclo.

A IO também é mais frequentemente utilizada antes de se ponderar tratamentos com recurso a procriação medicamente assistida (PMA), ao passo que a estimulação ovárica é normalmente utilizada em conjunto com ciclos de fertilização in vitro (FIV), inseminação intrauterina (IIU) e injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI).

A estimulação ovárica é também realizada por dadoras de óvulos.3

O processo

Há 3 passos básicos associados à estimulação ovárica:4

  • Tratamento com gonadotropinas para estimular o desenvolvimento de múltiplos folículos
  • Tratamento com agonistas ou antagonistas para controlar o ciclo e impedir que a ovulação ocorra precocemente
  • Indução da ovulação 36 a 38 horas antes da colheita dos óvulos

As mulheres submetidas a estimulação ovárica devem ser seguidas através da realização de ecografias ao longo de todo o tratamento.3

Que medicamentos terei de tomar?

Gonadotropinas (primeiro passo)

As gonadotropinas são hormonas produzidas naturalmente no corpo da mulher. Normalmente, a maioria dos folículos degrada-se nos primeiros dias do ciclo menstrual, à medida que os níveis da hormona folículo-estimulante (FSH) e da hormona luteinizante (LH) diminuem.1

Assim, a fim de permitir que múltiplos folículos continuem a crescer, a estimulação ovárica é utilizada para manter as concentrações de gonadotropinas. O objetivo é suprir o declínio de FSH e LH, que geralmente ocorre no início do ciclo menstrual.5

O especialista em fertilidade geralmente escolhe a dose inicial com base na idade, índice de massa corporal (IMC) da mulher, na presença de condições clínicas específicas (por exemplo, síndrome do ovário poliquístico), nos seus níveis hormonais e na contagem de folículos antrais (AFC; uma ecografia transvaginal para mostrar o número e o tamanho dos folículos existentes nos ovários), entre outras variáveis.6

Uma vez que as gonadotropinas são geralmente mais eficazes do que o citrato de clomifeno, existe um risco acrescido de:1

  • Síndrome de hiperestimulação ovárica (OHSS) — uma condição caracterizada pelo desenvolvimento de muitos folículos. A OHSS é normalmente detetada e tratada rapidamente, mas cerca de 2% das mulheres podem precisar de ser hospitalizadas para receber ajuda
  • Gravidez múltipla — gémeos ou trigémeos até pode parecer um cenário apetecível, mas gravidezes múltiplas podem acarretar sérios riscos de saúde, tanto para a mãe como para os bebés

Agonistas e antagonistas (segundo passo)

Aquando o tratamento com gonadotropinas, poderá utilizado outro conjunto de medicamentos para garantir que a ovulação ocorre exatamente no momento certo.4 Estes medicamentos controlam a quantidade de FSH e LH que o corpo da mulher produz, para impedir a ocorrência de uma ovulação repentina antes de os óvulos estarem suficientemente desenvolvidos e maturos para serem recolhidos pelo seu médico.1

Estes medicamentos são administrados por injeção, à semelhança das gonadotropinas.4

Indução da ovulação (terceiro passo)

Normalmente, o corpo da mulher aumenta os níveis de LH num certo momento do ciclo menstrual, a fim de desencadear a ovulação.4 No entanto, isto não acontece em algumas mulheres.2 Por isso, é necessária uma injeção de outra hormona (gonadotropina coriónica humana; hCG) para desencadear a ovulação durante a fase final da estimulação ovárica.4

Isto leva a que o médico saiba o momento exato em que a ovulação ocorre, permitindo a realização de outros tratamentos no momento adequado, aumentando assim as suas hipóteses de engravidar.

E a seguir?

Quais os medicamentos e hormonas utilizados na FIV/ICSI?

Compreenda os medicamentos necessários nas diferentes fases do tratamento

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Indução da ovulação (IO)

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Referências
  1. American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Medications for inducing ovulation. A guide for patients. 2016. Available at: http://www.reproductivefacts.org/globalassets/rf/news-and-publications/bookletsfact-sheets/english-fact-sheets-and-info-booklets/booklet_medications_for_inducing_ovulation.pdf. Accessed: January 2018.
  2. Cohlen B. Chapter 12: Ovulation Induction versus Controlled Ovarian Hyperstimulation. In: Ovulation Induction: Evidence Based Guidelines for Daily Practice. Ed: Santbrink E and Laven J, 2016.
  3. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Fertility problems: assessment and treatment: CG156. 2016. Available at: https://www.nice.org.uk/guidance/cg156. Accessed: September 2016.
  4. Gallos I et al. Cochrane Database Syst Rev 2017;3:CD012586.
  5. Balasch J and Fábregues f. Reprod Biomed Online 2003;6(4):427–431.
  6. Jungheim E et al. Semin Reprod Med 2015;33(2):77–82.
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